sexta-feira, 5 de março de 2010

Desencontros.

Da lágrima ao dilúvio, torres, torrentes, inundações e enchentes, enxurradas de emoçoes, tempestades de ilusões e tudo mais que rimar com o que persiste sem existir, tudo o que muda sem nunca ter sido, tudo o que chega sem ter partido e tudo o que parte sem se despedir.
E o que era só um curativo torna-se cirurgia eminente, vira plástica, lavagem, libertação, demolição superegóica, metamorfose utópica, simbólica, necessária para a edificação.
Esfria o café, o café a esfria, acende o cigarro e o cigarro a apaga, afaga-lhe os cabelos e aos poucos afoga-se, emerge inconscientemente em altas concentrações alcoólicas, em alucinações temporárias que remetem a ressaca e fazem um adendo a um ciclo peremptório e nocivo, a transportam a sua porta e a reduzem a um carpete de seu apartamento, apartando-lhe a dor e deflorando sentimentos ausentes, efervescentes e inconstantes.
Por um momento achou a vida breve, tão breve quanto um incidente textual, e na longitude da dor, deparou-se com o equivoco, na incoerência do amor, desviou-se do desejo, e no crivo dos dias, o lampejo de uma ideia delirante, por apenas um instante desarmou-se da armadura, despiu-se de toda candura e perdeu-se de si mesma.

Karina S. Borges

3 comentários:

Tony Draven disse...

"e na longitude da dor, deparou-se com o equivoco, na incoerência do amor"
hmmm muito bom isso =]

bjo filha parabens ^^

DANI disse...

Trágico!!

bjos

Hector disse...

E isso ai começou bem o ano rsrs!

Realmente coisas que se aparentam a serem simples, com o passar do tempo, se tornam tão complexas, assim é a vida neh!!!



Parabens por mais um texto de qualidade!!!